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Entre o instinto e o discurso: o lugar da mulher na maternidade

  • Lilian Lemos
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Ao pensar a maternidade entre o instinto e o discurso, é fundamental entender que está em jogo não apenas o cuidado com os filhos, mas também o lugar que a mulher ocupa na sociedade.

Esse abismo entre o ideal materno imposto socialmente e a experiência interna da mulher-mãe é, muitas vezes, marcado por angústias, ambivalências e apagamentos do eu.

A Colonização do maternar por ideais inalcançáveis

A maternidade costuma afogar a mulher em um mar de exigências internas e externas. Isso mostra que a função materna, longe de ser espontânea ou harmoniosa, é colonizada por ideais inalcançáveis que reforçam a culpa e silenciam o desejo feminino. Questionar essas construções históricas é essencial para compreender como a visão sobre a mulher foi moldada e, sobretudo, como pode ser transformada.

Os resquícios de um pensamento que adoece

Ainda hoje, resquícios desse pensamento aparecem em discursos que culpabilizam as mulheres por problemas sociais, em julgamentos morais e na desigualdade de oportunidades. A consequência é uma geração de mães exaustas, tentando corresponder a um ideal que não existe.

Apresentando um caminho

Talvez o primeiro passo para uma maternidade mais real seja justamente esse: reconhecer que não há instinto puro, nem amor perfeito. Desconstruir o ideal materno abre caminhos para a autonomia feminina e para a construção de relações mais verdadeiras entre mães e filhos.

Há mulheres tentando existir entre o amor e o limite, e isso já é profundamente humano.

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  • Sobre o autor: Sou doula e psicanalista, e dedico meu trabalho a acolher mulheres em suas transições - da gestação ao puerpério, da dor à descoberta de si.

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Antes de se tornar mãe, a mulher vive centrada em sua própria identidade, nos seus desejos e nas suas escolhas. Ao iniciar a maternidade, ela se vê atravessada por uma realidade que dificilmente se alinha aos discursos romantizados que associam a experiência à plenitude e à felicidade absoluta.

Nesse desencontro, surge uma sensação difícil de nomear: a perda de si.

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No puerpério, muitas mulheres se sentem distantes de si mesmas. Com a chegada do bebê, grande parte da energia da mãe naturalmente se volta para ele. O corpo e a subjetividade podem ficar em segundo plano, e é fácil se perder nesse movimento. É nesse espaço, entre a entrega ao bebê e a própria rotina, que surgem dores, angústias e sentimentos que antes estavam adormecidos.

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Criei este espaço para falar sobre o que não cabe nas fotos de ultrassom, nem nas frases prontas sobre ser mãe.

Quero falar sobre o invisível da maternidade: o que se cala, o que se rompe e o que se reconstrói dentro de cada mulher que tenta, gesta e acolhe um filho nos braços.

Pronta para dar o primeiro passo na sua jornada?

Agende uma conversa inicial sem compromisso. Vamos juntas encontrar o caminho para uma maternidade mais leve e consciente.