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O que se perde e o que se encontra na maternidade

O que se perde e o que se encontra na maternidade

  • Lilian Lemos
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Antes de se tornar mãe, a mulher vive centrada em sua própria identidade, nos seus desejos e nas suas escolhas. Ao iniciar a maternidade, ela se vê atravessada por uma realidade que dificilmente se alinha aos discursos romantizados que associam a experiência à plenitude e à felicidade absoluta.

Nesse desencontro, surge uma sensação difícil de nomear: a perda de si.

O desaparecimento simbólico 

Perde-se liberdade, autonomia, o próprio corpo como espaço de desejo e, às vezes, até a própria subjetividade. Na experiência psíquica, esse apagamento acontece de forma silenciosa. Muitas mulheres sequer percebem que estão desaparecendo simbolicamente, pois, imersas nas demandas da maternidade, desconectam-se de seus próprios desejos, necessidades e histórias.

O centro psíquico: para onde vai a sua energia? 

Grande parte da energia psíquica, que antes circulava por vínculos afetivos, pelo corpo ou pela carreira, passa a ser quase integralmente direcionada ao bebê. Ele se torna o centro psíquico da mãe.

Esse movimento, embora natural e necessário nos primeiros meses, carrega o risco de fazer a mulher se perder de si mesma, principalmente quando não há espaço para reflexão, acolhimento ou suporte externo.

Reconhecer para se reencontrar 

Reconhecer esse processo é o passo essencial para que a maternidade seja vivida de forma mais consciente e humana. É o que permite que o cuidado com o bebê possa, finalmente, conviver com o cuidado consigo mesma.

Agora, uma reflexão para você: Que partes de você ainda esperam para ser lembradas e cuidadas neste período?

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  • Sobre o autor: Sou doula e psicanalista, e dedico meu trabalho a acolher mulheres em suas transições - da gestação ao puerpério, da dor à descoberta de si.

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Maternidade: o processo de se perder para se reencontrar

No puerpério, muitas mulheres se sentem distantes de si mesmas. Com a chegada do bebê, grande parte da energia da mãe naturalmente se volta para ele. O corpo e a subjetividade podem ficar em segundo plano, e é fácil se perder nesse movimento. É nesse espaço, entre a entrega ao bebê e a própria rotina, que surgem dores, angústias e sentimentos que antes estavam adormecidos.

Entre o que nasce e o que se transforma

Criei este espaço para falar sobre o que não cabe nas fotos de ultrassom, nem nas frases prontas sobre ser mãe.

Quero falar sobre o invisível da maternidade: o que se cala, o que se rompe e o que se reconstrói dentro de cada mulher que tenta, gesta e acolhe um filho nos braços.

Entre o instinto e o discurso: o lugar da mulher na maternidade

Ao pensar a maternidade entre o instinto e o discurso, é fundamental entender que está em jogo não apenas o cuidado com os filhos, mas também o lugar que a mulher ocupa na sociedade.

Esse abismo entre o ideal materno imposto socialmente e a experiência interna da mulher-mãe é, muitas vezes, marcado por angústias, ambivalências e apagamentos do eu.

Pronta para dar o primeiro passo na sua jornada?

Agende uma conversa inicial sem compromisso. Vamos juntas encontrar o caminho para uma maternidade mais leve e consciente.